Revista
(NOME DA REVISTA) nº 00 - mês / ano
AS
CIDADES DE NICOLAS BEHR
Francisco Kaq
Francisco
Kaq é poeta, autor de eu versus
e poesia aporia (pela 7 Letras).
"
Espero que Brasília seja uma cidade de homens felizes; homens
que sintam a vida em toda a plenitude, em toda a fragilidade. "
Oscar
Niemeyer
Um
jovem poeta de origem cuiabana começou a vender o primeiro de
uma série de livrinhos mimeografados em agosto de 1977, na capital
planejada que então ganhava traços mais definidos de espaço
social urbano, construído no dia-a-dia.
A assim chamada poesia marginal rolava pelo país desde o início
da década. É sabido que essa corrente se distinguiu por
novos modos de confecção e distribuição
dos livros, apelando para a auto-edição barata e marcada
pelo talhe pessoal e lúdico, bem como para a venda do produto
pelo próprio autor, em um contato direto que se confundia com
uma performance.
Quanto ao domínio verbal, tínhamos a adesão ao
coloquial e à expressão espontânea, que transcrevesse
mais diretamente os novos desejos, dilaceramentos e gratificações
que perpassavam os sujeitos – o que se associava à recusa
da elaboração formal mais rigorosa ou mais complexa.
Propomos que as intervenções de Nicolas Behr vão
radicalizar tal poética, levando às últimas conseqüências
o seu caráter precário e lúdico. A transformação
da pobreza de meios (tanto os estilísticos como os de produção
gráfica) em riqueza poética é seu programa sistemático.
Comecemos exemplificando o jogo com a materialidade do livro e sua produção
semi-artesanal. Iogurte com Farinha, o referido primeiro livro, apresenta,
entre outras intervenções diretas do autor, carimbos variáveis
na capa: um dos exemplares que possuo recebeu um CONSERVE EM GELADEIRA,
enquanto no outro se lêem VÁLIDO ATÉ SÁBADO
e PROIBIDO PARA MENORES DE 10 CRUZEIROS (com o algarismo escrito à
mão).
A partir do segundo livro, Nicolas vai entremear desenhos aos poemas,
estabelecendo um diálogo marcado pela exploração
dos mesmos temas e por afinidades nas configurações das
diferentes linguagens – em meio a um cultivado desleixo na diagramação
e no acabamento do livro. O lance intersemiótico mais surpreendente
vai aparecer em Bagaço: o poema “grampeei meus dedos /
nesta folha de papel / ai como dói / ai como é gostoso”
tem ao lado dos versos um desenho de 4 dedos de uma mão, sobre
o qual foram aplicados alguns grampos (“reais”).
O BASTÃO MODERNO
Antes,
é claro, havia Oswald (de Andrade). Se o retorno ao coloquial
e à dessolenização do poético praticados
pela primeira geração modernista era uma bandeira hasteada
por vários poetas marginais e pelos teorizadores da corrente,
parece-nos que Nicolas foi o mais efetivamente oswaldiano.
Temos, com Oswald, uma poesia anti-retórica, coloquial e sintética
(“em comprimidos, minutos de poesia” – Paulo Prado);
uma “poesia ready-made” (Décio Pignatari) e da paródia,
de apropriação, recontextualização e transformação
de lugares comuns e de outros textos; uma poesia da “inocência
construtiva” e da montagem; em um novo conceito de livro, conjunto
de certo modo indissociável dos poemas entre si e com os desenhos
de Tarsila ou do autor (vide a introdução de Haroldo de
Campos às Poesias Reunidas).
O fato de Nicolas explorar, de alguma maneira, todas essas vertentes
não impede a ocorrência de sensíveis diferenças
entre seus resultados e os de Oswald. Assinalemos, de passagem, que
a precisão e a consistência poético-críticas
do pai antropófago têm apenas correspondências eventuais
na produção de Nicolas. Seja como for, o jogo e os riscos
que o poeta de Brasília assume já não são
os mesmos.
Outra estaca a ser fincada para demarcar o terreno da poesia behriana:
o primeiro Drummond parte (isso é bem esquemático) do
método pau-brasil de Oswald, mas nele introduz uma subjetividade
deslocada e problematizante, que passa a enviesar seus takes da realidade.
Nicolas cita e se apropria mais de Drummond que de Oswald – sua
trajetória se inicia em algum ponto entre esses dois campos de
força.
Um “forte desejo de ressubjetivação” tem sido
reiteradamente apontado nos fundamentos da prática poética
marginal. Iumna Simon e Vinicius Dantas, no exame mais contundente do
assunto, questionam a efetividade da subjetivação textual
empreendida pelos poetas alinhados sob esse rótulo. A presença
ostensiva de traços subjetivos em seus textos, identificados
às vezes ao mero acúmulo de dados empíricos, marcaria
antes uma “tendência coletiva, anonimizante”, consumada
em uma “indiferenciação generalizada” de estilos.
A desqualificação literária praticada pela poesia
marginal é, assim, “promovida à imagem e identidade
da carência subjetiva” – ao contrário, portanto,
da escritura da modernidade, da qual “se podia esperar o engendramento
de (uma) visão de singular de mundo, forjada (no) próprio
estilo (do autor), inconfundível e singular”.
Isso é crucial para estabelecermos certas distinções.
Não desconsideremos, entretanto, que o despojamento da experiência
pessoal (ou, por outro ângulo, a problematização
da identidade subjetiva) é também constitutiva da poesia
moderna – como Walter Benjamin nos mostra já em Baudelaire.
A singularidade poética de Nicolas Behr reside, enfim, em seu
modo de expor e explorar o esvaziamento subjetivo, em uma situação
inédita. A mobilização de dados empíricos
pessoais é de fato uma de suas estratégias – e um
dos dados recorrentemente aproveitados é o de seu então
endereço, que aparece, sob diferentes formatações,
em diversos poemas e no título de um dos livros (303F415). A
contradição flagrante é que essa informação
tão particular realmente não diz nada de singular sobre
o sujeito a que se refere – a não ser o fato de que ele
mora no Plano Piloto de Brasília. Ao contrário de ruas
e bairros que têm uma aura ou sabor próprios (evocados
por seus nomes), as superquadras são basicamente idênticas.
Desqualificado o sujeito, talvez uma nova voz se faça ouvir.
É quiçá a cidade que aprende a falar – e
toma consciência de si mesma. O balbucio poético de Brasília
é o que se ouve nos primeiros livros de Nicolas Behr.
CANTA
A TUA QUADRA
blocos,
eixos,
quadras
senhores, esta cidade
é uma aula de geometria
Este poema
está em Iogurte com Farinha, como fosse uma primeira apresentação
da nova paisagem urbana. Certo teor construtivista convive com a singela
linearidade sintática e com o apelo aos destinatários
(“senhores”), que introduz um pouco de solenidade, sob virtual
inflexão irônica. Predomina contudo, claramente, a afirmação
da singularidade e beleza racional da cidade.
Desde que foi concebida a nova capital, uma dimensão utópica
fazia-se presente em grande parte dos discursos que a abordavam. Como
também já podia ser nitidamente identificada no ideário
de Le Corbusier, o representante mais emblemático do pensamento
arquitetônico modernista – e referência central para
Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Brasília é, entre
outras coisas, uma concretização em larga escala dos ideais
urbanísticos dessa escola.
Podemos contrapor ao poema acima um outro, diagramado como prosa e de
fato bem prosaico; embora, respondendo ao primeiro, comece a revelar
melhor a leitura behriana de Brasília: “bem, o Sr. já
nos mostrou os blocos, as quadras, os gramados, os eixos, os monumentos...
// será que dava do Sr. nos mostrar a cidade propriamente dita?”
Uma falta é aí constatada. Ela pode ser lida, corretamente,
como a falta das características tradicionais de uma cidade.
Propomos que, mais do que isso, é a utopia que aí falta.
Um vazio de sentido povoa as estruturas geométricas, as instalações
urbanas. Brasília, com Nicolas, começa a ser percebida
como as ruínas da sua utopia.
Senão, vejamos:
tem alguém
cutucando o teto
e fazendo muito barulho
não
sei se quer falar comigo
através de um código qualquer
vai ver
nem sabe
que aqui mora alguém
e talvez
esteja apenas
tentando matar as baratas
que correm pelo teto
O poema,
também do primeiro livro, enfoca, sem dúvida, o problema
da atomização e da incomunicação entre os
habitantes das grandes cidades. Sendo enquadrado no contexto brasiliense,
ele ganha outras conotações. Afinal, as amplas áreas
verdes, conforme a concepção corbusiana adotada por Lúcio
Costa, deveriam ser um espaço propício ao lazer e à
convivência dos moradores das superquadras. Sua saúde física
e mental estava prevista e planificada. Ao invés, temos uma situação
grotesca ou paranóica de pessoas ilhadas em seus apartamentos,
com um toque kafkiano.
O zoneamento funcional (especialização de setores etc.),
proposição básica do urbanismo modernista, parece
de fato obstruir um fluxo mais rico, denso e contínuo de pessoas,
que possibilitasse usos diferenciados e múltiplos dos espaços.
Nicolas não apenas percebe o estorvo, como busca desesperadamente
uma saída:
no setor
poético sul
saio pela emergência
no setor
mortífero norte
escapo pela válvula
no setor
de radioatividade sul
aperto o botão de alarme
“vou
entrar numas
pra sair dessa
e não cair em outra”
Em ritmo
de aventura ou suspense, Nicolas vai conseguindo escapar: sua mobilidade
e a vitalidade de suas transgressões empatam com a sensação
de constrangimento. É válido, portanto, esboçar
uma reação, até certo ponto heróica, às
coerções do espaço urbano? Nicolas descobre que
é possível riscar, com a poesia, novos traçados
sobre a cidade. Seus monumentos, de fato, prestam-se às maravilhas
às mais diversas apropriações, liberando novos
sentidos. O perigo de atravessar “o eixão às seis
horas da tarde”, ante um horizonte incandescente, a caminho da
casa da musa, não suscita uma emoção nova? A indiferença
mesma de suas siglas (e dos espaços que designam) possibilita
novos embaralhamentos e combinações. O vazio dos espaços
pode, enfim, ser ocupado das formas mais imprevistas.
O impulso lúdico permite uma refuncionalização
liberadora das formas e espaços da cidade. Esta, no entanto,
resiste a se entregar completamente. Com sua face de esfinge olha o
poeta – que responde com novas perguntas a sua muda interrogação:
SQS415F303
SQN303F415
NQS403F315
QQQ313F405
SSS305F413
seria isso
um poema sobre brasília?
seria um poema?
seria brasília?
O PARADOXO COMUNICATIVO
Um certo
pendor igualitário, sem coloração ideológica
bem definida, marcava o urbanismo funcionalista. Com a concepção
de Brasília, tal noção traduziu-se popularmente
na fórmula de que o ministro e o ascensorista do ministério
poderiam morar no mesmo bloco (ou ao menos em uma mesma “unidade
de vizinhança”, conjunto de 4 superquadras com equipamentos
urbanos de utilização comum). Critica-se, apropriadamente,
a insuficiente consideração das diferenças entre
as classes sociais nesse pensamento urbanístico, em prol de um
homem genérico; o que levou a uma espécie de socialismo
abstrato, facilmente desmentido pela realidade. Se alguém tinha
alguma dúvida, logo ficou claro que a população
brasiliense não ia se acomodar nas mesmas superquadras... e surgiram
as satélites.
Brasília é esta tensão entre o Plano Piloto e suas
cidades satélites. O poeta toma consciência destas (“e
entra em órbita”), embora pouco vá além de
uma percepção vagamente contestadora ou solidária.
Um tipo especial de afinidade entre o poeta e a população
excluída revela-se, no entanto, por vezes, como neste poema:
o vigia
do meu bloco
passa as noites
apitando um jogo
que já perdeu
para as estrelas
aquele
pri pri
se perdendo
entre as pilastras
O trabalho
subalterno surge aqui como um jogo fantasmático e inútil,
irremediavelmente destinado ao fracasso. Mas não é mais
ou menos isso o que acontece com o jogo espectral da poesia?
Benjamin detecta nos poemas de Baudelaire a presença alegórica
do proletariado (sob o signo de Satã), para além das posições
ideológicas do poeta: a inviabilidade da opção
pela poesia na modernidade o sintoniza com a classe explorada.
Não iríamos aqui tão longe. Mas vejamos como se
instala uma crise na primeira etapa poética de Nicolas Behr.
Nicolas almeja ser um poeta público: quer falar e ser ouvido.
A simplificação de suas formas poéticas visa (também)
a uma comunicação ampla e massiva. A própria indiferenciação
do sujeito, seu caráter básico, o aproximaria de um grande
número de iguais. O passo seguinte dessa lógica leva-o
a propor uma coletivização ou indistinção
da autoria. O poeta pirateia escancaradamente as mais diversas fontes:
não apenas outros poetas, mas grafites, pára-choques de
caminhão, ditos correntes, frases felizes de conhecidos e de
anônimos populares. O velho lema dos surrealistas, pescado em
Isidore Ducasse – “a poesia deve ser feita por todos”
– ganha aqui surpreendente aclimatação.
A questão da fusão de poesia e vida, central para românticos
e marginais, recebe com Nicolas esse aspecto cooperativo, público,
coletivista: a poesia deve permear a cidade ou dela emergir. Ao mesmo
tempo, ele impõe a essa busca um novo tipo de intensidade, quase
kamikaze em sua integridade, bem diferente do da ginga malandra dos
cariocas Chacal ou Charles.
Tanto a indistinção de poesia e vida quanto a ânsia
de ampla comunicação requerem um afrouxamento do controle
autárquico do crivo estético (da inteligência crítico-criadora).
A aposta poética do primeiro Nicolas pressupõe que se
assuma o risco dos bons e maus poemas – vale a coragem de se expor,
de ousar, de subverter “todas” as regras, engendrando o
inesperado, o fácil, o tosco, a faísca iluminadora.
Mas o impasse se estabelece se um autêntico pacto não é
selado entre o poeta e seus ouvintes (que por ele falam). A comunhão
poética se vê comprometida quando, passado o impacto inicial,
o público já não vê com o mesmo interesse
as produções behrianas. Afinal, “qualquer um pode
fazer isso” – não é o que parece? “É
engraçado, mas e daí?”
A “poesia fácil”, dissolvida na vida, dificilmente
se distingue entre os liames do pensamento corriqueiro, da expressão
habitual. Como engravidar, assim, a realidade de novos possíveis?
A desqualificação, obtida a tão duras penas, é
simplesmente desqualificada. E perdem-se então as riquezas de
seu tão divertido quanto arriscado jogo – de suas percepções
inaugurais.
O POETA FÊNIX (NA PIRA DE BRASÍLIA)
Nicolas
Behr publica sucessivamente seus livrinhos de 1977 até fins de
1980, quando sai o L2 Noves Fora W3 (o 14º, salvo engano). Sua
atuação na venda e lançamento de livros, em recitais
e em outros espetáculos e afazeres artísticos também
era contínua e intensa, estendendo-se por mais algum tempo. O
fato é que ainda pelo início dos 80 Nicolas vai afastar-se
de todas essas atividades, chegando a anunciar, em certo momento, que
estava mesmo pendurando as chuteiras. De algum modo, esta possibilidade
pairava desde o início: o Iogurte com Farinha concluía
com um “estou salvo: / a poesia não é tudo”.
Seu Harrar (paradeiro do Rimbaud pós-poesia) foi o cerrado. Nicolas
envolve-se com o movimento ecológico e passa a dedicar-se ao
cultivo, venda e estudo de plantas, especializando-se nas nativas do
planalto.
Em 1993, acontece o inesperado retorno: Nicolas lança o Porque
Construí Braxília.
A clonagem do título do livro de memórias de JK mostra
uma mutação (aliás, duas): o que será, afinal,
esta Braxília? O poeta explica: “imagine / Brasília
/ não-capital / não-poder / não-Brasília
/ assim / é / Braxília”.
A idéia de nova transferência da sede do poder (para Anápolis,
por exemplo) já havia sido ventilada por ele bem antes. Agora
o sentido de fazer emergir outra Brasília sob a capital mudou.
A consciência da utopia falha, na primeira fase de sua poesia,
implicava a sua possibilidade premente: a cidade real podia explodir
a qualquer momento – a utopia podia ter lugar (na cidade).
Braxília é não só imaginária, mas
feita à medida do poeta: em sua grafia (como na pronúncia)
já se inscreve a marca de singularidade pessoal. Nesse livro
e nos 3 seguintes, o sujeito lírico de fato adensa-se –
mais drummondiano que oswaldiano –, explorando novos recursos
e dimensões, novas notas e transições sutis; estendendo
uma teia de memória e afetividade sobre os espaços da
cidade, onde desponta uma inaudita melancolia, ao lado de outros sentimentos
mais aguerridos ou construtivos.
Braxília é também esta cidade suscitada pela memória,
que revela encantos antes inconscientes e agora mais ou menos perdidos,
como, em “Saudades de Braxília”, “soltar pipa
no eixão / nadar e pescar no paranoá / (...) voltar da
festa a pé, altas horas / catar gabirobas perto da catedral”,
etc.
Braxília é a utopia pessoal do poeta que amadureceu. Mas
não deixa de manter tensões e atritos com a cidade real;
até porque esta se tornou uma realidade mais dura, problemática
e indiferente (mesmo sem ditadura).
Existiria ainda alguma possibilidade de reinvenção da
cidade (ou do DF) que não a simples deturpação
das idéias originais, movida pelos interesses econômicos,
pelo individualismo estreito dos diversos segmentos sociais, pelo obscurantismo
e falta de escrúpulos do poder político?
Quando é perguntado sobre a fase heróica, o poeta diz
ou escreve: “ainda bem que o tempo passa”. Ok, Nicolas:
é preciso seguir outras trilhas no cerrado, novos caminhos-de-rato
na cidade que todos, de qualquer modo, amamos.
1
- “Poesia Ruim, Sociedade Pior”, in Novos Estudos
CEBRAP, nº 12, jun. 1985. A primeira citação do parágrafo
é uma expressão de J. G. Merquior.
2 - Vale mencionar, neste contexto, a declaração
de João Cabral, em 1972, de que “nenhum poeta, nenhum crítico,
nenhum filósofo exerceu sobre mim a influência que teve
Le Corbusier. Durante muitos anos ele significou para mim lucidez, claridade,
construtivismo.” Lembremos ainda que o movimento que colocou a
poesia brasileira na vanguarda internacional inspirou-se no projeto
de Brasília para batizar seu manifesto de “plano-piloto
para poesia concreta”, em 1958.
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